Política

EUA classificam PCC e CV como terroristas: impacto na política brasileira

Decisão americana sobre facções brasileiras eleva debate sobre segurança pública e pressiona governo Lula, aponta cientista político Bruno Soller.

29 de maio de 2026 às 13:10· 4 min de leitura· Baseado em InfoMoney
EUA classificam PCC e CV como terroristas: impacto na política brasileira

Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Esta medida insere o Brasil em uma agenda geopolítica de enfrentamento a grupos criminosos na América Latina, segundo o cientista político Bruno Soller. A decisão, anunciada pelo governo de Donald Trump, intensifica o debate sobre segurança pública no Brasil.

A classificação do PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA vai além do combate ao crime organizado. Ela posiciona o Brasil em uma agenda geopolítica de Washington, focada em ampliar o enfrentamento a grupos criminosos na América Latina.

### Geopolítica e Segurança Pública

Bruno Soller, cientista político, destacou no programa Mapa de Risco do InfoMoney que a ofensiva americana contra organizações criminosas já estava em articulação. Donald Trump tem defendido o enfrentamento ao crime organizado em diversos países, como México e Colômbia, equiparando-os a grupos terroristas como a Al-Qaeda.

Uma das discussões de Trump com o presidente Lula foi justamente sobre a inclusão de facções brasileiras nessa lista.

### Implicações da Classificação

A principal mudança, conforme Soller, reside na interpretação do crime organizado. Tradicionalmente, facções são tratadas como problema de segurança pública e repressão policial. Ao serem classificadas como terroristas, elas passam a integrar uma lógica de segurança nacional e relações internacionais.

  • A medida amplia as possibilidades de cooperação internacional.
  • Cria novas pressões diplomáticas.
  • Fortalece discursos por respostas mais duras ao avanço das facções.

Soller compara a situação a um "enfrentamento entre Estados", similar à visão sobre o Hamas, onde há uma guerra de um Estado contra uma organização.

### Impacto na Política Brasileira

A decisão dos EUA tende a reforçar pautas já exploradas por setores da oposição e pré-candidatos no Brasil. Nomes como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o senador Flávio Bolsonaro, defendem medidas mais rigorosas na segurança.

O governo Lula, por sua vez, busca enfatizar ações de inteligência, combate financeiro e cooperação institucional. No entanto, parte do eleitorado associa segurança pública a questões mais imediatas, como violência urbana e sensação de insegurança.

### Influência nas Eleições de 2026

A agenda formulada em Washington influencia diretamente o debate político brasileiro. A estratégia americana deve ampliar a pressão sobre candidatos e autoridades para que apresentem posições claras sobre o combate ao crime organizado.

Soller prevê que o tema da segurança pública permanecerá central na disputa eleitoral. "Enquanto ficar se prometendo discussão só e não resolução, o tema segurança pública vai estar em alta nessa eleição. E este é um problema para o governo Lula", afirmou.

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