Professor de Cambridge defende ajuste fiscal gradual no Brasil

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Professor de Cambridge defende ajuste fiscal gradual no Brasil

Tiago Cavalcanti alerta que não há atalhos para equilibrar as contas públicas no Brasil.

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O economista Tiago Cavalcanti, professor titular da Universidade de Cambridge, defende um ajuste fiscal gradual para o Brasil, alertando que não existem “atalhos” para equilibrar as contas públicas e reduzir os juros. Em entrevista à BBC News Brasil, ele enfatizou a importância de medidas críveis que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar rapidamente.

Cavalcanti sugere que a primeira ação do governo deve ser a formação de uma equipe econômica comprometida com o equilíbrio fiscal, além de garantir apoio político. Ele acredita que um compromisso de longo prazo pode permitir um ajuste mais suave, sem a necessidade de cortes abruptos.

O economista também discute a questão do salário mínimo, afirmando que o governo deve limitar os reajustes apenas à reposição da inflação, evitando aumentos que possam comprometer o ajuste fiscal. Ele destaca que o aumento do salário mínimo impacta significativamente as despesas do governo, uma vez que é a base para aposentadorias e benefícios sociais.

Cavalcanti critica a proposta de redução rápida da taxa Selic apresentada por André Lara Resende, que sugere um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional. Para ele, a experiência de outros países, como a Turquia, mostra os riscos de cortes drásticos na taxa de juros sem um planejamento adequado.

Por fim, o professor ressalta que o equilíbrio das contas públicas pode coexistir com a manutenção de programas sociais, desde que haja uma gestão responsável e consciente das finanças do país.