Desde a confirmação de seu quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enfrentado pressão para definir quem liderará o Ministério da Fazenda. A reação do mercado financeiro ao resultado eleitoral foi negativa, com queda na bolsa e alta no dólar, levando analistas a preverem que o ajuste das contas públicas não será uma prioridade nos próximos anos.
As expectativas em relação à inflação aumentaram, enquanto as projeções de crescimento econômico e o valor do dólar foram reavaliados. Lula reconheceu que a dívida pública é uma preocupação, mas defendeu que o crescimento econômico deve ser a principal estratégia para resolver os problemas fiscais, evitando cortes que possam prejudicar a população mais vulnerável.
A equipe econômica do governo promete um ajuste fiscal gradual e consistente, visando a redução da taxa de juros e a manutenção das políticas sociais. Recentemente, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a Selic, o que distanciou ainda mais o Brasil em relação aos demais países com altas taxas de juros reais.
O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que não haverá mudanças abruptas na economia e que o governo planeja um ajuste de dois pontos do PIB entre 2027 e 2030, transformando um déficit primário em superávit ao longo do período. No entanto, para estabilizar a dívida pública, seria necessário um superávit de 2,1% do PIB.
Embora o governo ainda não tenha apresentado um pacote detalhado de medidas, já se fala em um compromisso mais firme com a meta fiscal, revisão de benefícios tributários e novas regras para controlar o crescimento das despesas. Essas iniciativas visam reforçar o arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos, e será fundamental para o primeiro ano do novo mandato.