A liquidação do Ueno Bank provocou uma grave crise política no Paraguai, resultando na renúncia do presidente do Banco Central e, posteriormente, no impeachment e prisão do ex-presidente Santiago Peña. Peña, que foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025, viu sua gestão abalada por questões internas no partido Colorado, o que acelerou sua queda.
Carlos Carvallo Spalding, que também havia liderado o Ueno antes de assumir a presidência do Banco Central, foi um dos principais envolvidos na crise. Especialistas destacam as semelhanças entre o caso do Ueno e o do Banco Master no Brasil, especialmente em relação à exposição de recursos públicos e à conexão com o mundo político.
Thiago Amâncio, diretor associado da Control Risks, observa que, embora existam pontos em comum, como a rápida expansão e a fragilidade dos ativos, a dimensão do Ueno na economia paraguaia é incomparável. Quase metade da população adulta do Paraguai possui conta no banco, o que intensifica o impacto da crise.
O Ueno Bank foi fundado em 2021 após a aquisição da antiga Financiera El Comercio e, em menos de três anos, tornou-se um dos principais bancos do país, com 3 milhões de clientes. Em contraste, o Banco Master, que passou por um crescimento mais lento e focado em ativos, nunca alcançou a mesma relevância no mercado brasileiro.
No que diz respeito à gestão de recursos, o Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social do Paraguai, enquanto o Banco Master teve investimentos de cerca de R$ 1,8 bilhão de regimes próprios de previdência no Brasil. Essas diferenças ressaltam a gravidade da situação paraguaia.