Bens industriais pressionam IPCA e reduzem desinflação no Brasil
Aumento de custos com petróleo e matérias-primas impacta bens industriais, alterando projeções de inflação para o segundo semestre de 2024.

A pressão sobre os bens industriais, impulsionada pelo aumento do petróleo e matérias-primas, começa a impactar a dinâmica desinflacionária no Brasil. Economistas observam uma aceleração nos preços desse grupo, que pode persistir no segundo semestre de 2024.
### Petróleo e Matérias-Primas Elevam Custos
O conflito no Oriente Médio e seus efeitos no fornecimento de petróleo e outras matérias-primas estão alterando o cenário para os bens industriais. Em abril, o avanço dos preços nesse setor atingiu 0,61%, quase o dobro dos 0,32% registrados em março. Essa tendência de alta, segundo analistas, deve continuar no segundo semestre.
Em 12 meses, o aumento dos itens industriais ainda está abaixo do IPCA geral, em 2,41% contra 4,39%. Contudo, projeções indicam que pode alcançar cerca de 4% até o final do ano, diminuindo sua contribuição para a queda da inflação.
### Impacto no IPCA e Projeções Futuras
Com peso de aproximadamente 23% na cesta de consumo do IPCA, os bens industriais mostraram estabilidade nos últimos anos. Apesar da desvalorização do dólar frente ao real em 2026, dados do atacado já sinalizam uma mudança nesse comportamento.
Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, destaca que o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) já reflete essa reversão. Um núcleo industrial, que exclui gás, minério de ferro e alimentos, subiu para 2,5% no último mês, a maior taxa para abril desde 2010.
Matheus Dias, economista do FGV-Ibre, explica que o aumento do petróleo pressionou custos industriais e logísticos. A disparada de embalagens plásticas, que passou de 33% para 38% entre março e abril, é um exemplo dessa pressão, que não é influenciada pelo câmbio, mas sim pelo choque da guerra.
### Fatores Adicionais de Pressão
Roberto Secemski, economista-chefe do Barclays para o Brasil, aponta que o avanço de itens de higiene pessoal contribuiu significativamente para a alta dos bens industriais em abril. A combinação de matérias-primas e fretes mais caros, junto com a resiliência do consumo, pode sustentar essa tendência.
O Barclays revisou sua previsão para o avanço anual dos itens industriais no IPCA de 2,9% para 3,8% em 2024, ante 5% estimados para o índice cheio. A expectativa é de maior fôlego na segunda metade do ano.
João Fernandes, economista da Quantitas, menciona que a economia chinesa também influencia. A China, grande importadora de petróleo, repassa o encarecimento para seus produtos exportados, elevando a inflação em mercados emergentes.
Embora o acumulado em 12 meses dos bens industriais subjacentes permaneça controlado em 2,17% até abril, outras métricas indicam preocupação. A média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada desse grupo subiu de 1,40% no final do ano passado para 3,64% no IPCA de abril.
Além disso, há a expectativa de que a inflação de itens de vestuário seja impactada pelo preço do algodão. O aumento do petróleo eleva o custo do poliéster, o que, por sua vez, aumenta a demanda e o preço do algodão, seu substituto.
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