PT critica EUA por classificar PCC e CV como terroristas e vê ingerência

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A bancada do PT na Câmara dos Deputados divulgou nota em 28 de maio de 2026, criticando a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O partido acusa parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro de articularem a medida junto ao governo americano. A decisão dos EUA, que entra em vigor em 5 de junho, é vista pelo PT como uma “ingerência” estrangeira.

A nota, assinada pelo líder da bancada petista, Pedro Uczai, atribui a articulação ao senador Flávio Bolsonaro e ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, as facções receberão as designações de Specially Designated Global Terrorists (SDGTs) e Foreign Terrorist Organizations (FTOs).

Essas classificações implicam em sanções econômicas, restrições financeiras e limitações de circulação internacional. Washington justificou a medida afirmando que as facções brasileiras possuem milhares de integrantes e são responsáveis por ataques a policiais, autoridades públicas e civis, com atuação que se estende a outros países da América Latina e aos próprios Estados Unidos.

### Contexto da Decisão Americana

A decisão foi anunciada dias após uma visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde, após encontro com o presidente Donald Trump, o senador afirmou ter solicitado o enquadramento do PCC e CV como organizações terroristas. O governo brasileiro, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, tem defendido o fortalecimento da cooperação internacional, investigação patrimonial e combate financeiro às facções, além do avanço da PEC da Segurança Pública.

### Preocupações e Consequências

Especialistas avaliam que a classificação americana pode ampliar riscos jurídicos e financeiros para empresas que operam em regiões sob influência do crime organizado. Além disso, pode elevar as restrições no sistema financeiro internacional.

Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, afirmou em Moscou que equiparar facções criminosas a grupos terroristas “não ajuda” no combate ao crime organizado. A bancada do PT alerta que a medida pode gerar consequências financeiras desastrosas, como fuga de investimentos, sanções e bloqueio de ativos, afetando o sistema financeiro brasileiro.

O partido também expressa preocupação com a ameaça a milhões de pessoas em territórios dominados pelo crime organizado, que poderiam enfrentar barreiras para circulação, serviços, contas bancárias e crédito. A nota do PT critica a tentativa de buscar em Washington o que foi “perdido” no Congresso Nacional, referindo-se à derrota da proposta de tratar facções criminosas como terrorismo no parlamento brasileiro.

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