
A China defendeu a não intervenção em assuntos internos de outras nações, após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi feita pelo porta-voz Mao Ning nesta sexta-feira (29).
O governo chinês reiterou sua posição de que os países não devem interferir nas decisões internas de outras nações. A manifestação ocorre em resposta à designação das facções criminosas brasileiras como terroristas pelos EUA.
Na quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o PCC e o Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados. A intenção é incluí-las na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou barrar essas designações. A preocupação era que a medida pudesse abrir precedentes para ações militares dos EUA em território brasileiro, similar ao ocorrido na Venezuela.
Especialistas indicam que a remoção de tal classificação pelo Departamento de Estado costuma levar mais de uma década. Lincoln Gakiya, promotor e investigador do PCC há mais de 20 anos, alertou que a decisão americana pode alterar a natureza do combate às facções e levantar questões sobre a soberania nacional.
A decisão dos EUA foi anunciada na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com o presidente americano. Na ocasião, Bolsonaro discutiu o combate ao crime organizado e solicitou a inclusão das facções na lista de terroristas.
A classificação deve impactar o cenário político brasileiro até as eleições de outubro. A segurança pública e a violência urbana são temas centrais para os eleitores, e o assunto deve ganhar destaque nos debates eleitorais, sendo explorado tanto pelo governo quanto pela oposição.
Embora detalhes sobre uma reação oficial não tenham sido definidos, espera-se que o governo Lula reforce a importância da soberania nacional em questões de segurança pública. A resposta deve ser similar ao tom adotado quando Donald Trump aumentou tarifas sobre produtos brasileiros, sem medidas de reciprocidade ou retaliação.