
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, a partir de 5 de junho, levanta preocupações sobre a soberania brasileira. O promotor Lincoln Gakiya alerta para a possibilidade de operações militares secretas americanas no território nacional. A medida altera a natureza da resposta dos EUA, passando de segurança pública para defesa nacional.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou que o PCC e o Comando Vermelho serão incluídos na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. Essa classificação, efetiva a partir de 5 de junho, amplia os instrumentos de sanção financeira e atuação internacional disponíveis ao governo americano.
### Mudança de Abordagem
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, especialista no PCC, a principal mudança reside na forma como Washington passará a encarar o problema. Anteriormente tratado como questão de segurança pública e cooperação policial, o enfrentamento às facções migra para o campo da defesa nacional.
* A responsabilidade sobre o tema pode passar do FBI e DEA para a CIA e militares.
* Isso pode gerar a possibilidade de operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro, como já ocorreu no México e na Venezuela.
A mudança de esfera, da policial para a de defesa, preocupa investigadores. Ela pode alterar os canais tradicionais de cooperação internacional utilizados no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
* A troca de informações diretas entre autoridades brasileiras e americanas pode ser dificultada.
* Informações podem ser classificadas como confidenciais ou secretas, reduzindo a velocidade e eficiência de investigações conjuntas.
### Debate sobre Soberania