
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em discurso em Sergipe, Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma ‘republiqueta’ e exigiu cooperação mútua. Ele também atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusando-o de ‘traição da pátria’.
Em sua primeira declaração pública após o anúncio dos EUA, o presidente Lula expressou descontentamento com a medida. Ele ressaltou que o combate ao crime organizado deve ser feito sem interferência externa, pedindo que os EUA entreguem brasileiros procurados que estão em seu território.
Lula destacou que PCC e CV praticam terror no Brasil e serão combatidos pelo governo federal. Ele mencionou a Lei Antifacção e a necessidade de aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado.
O presidente também direcionou fortes críticas ao senador Flávio Bolsonaro. Lula o acusou de ser um ‘traidor da Pátria’ por ter ido a Washington D.C. em 26 de março para defender a medida aplicada pelo Departamento de Estado dos EUA.
Lula comparou Flávio Bolsonaro a Joaquim Silvério dos Reis, figura histórica conhecida pela traição na Inconfidência Mineira. O presidente afirmou que Silvério dos Reis ficaria envergonhado com a atitude do senador.
Continuando os ataques, Lula declarou que, se a família Bolsonaro tivesse pedido intervenção dos EUA para prender milicianos, seus integrantes seriam detidos em território norte-americano. Ele atribuiu a movimentação bolsonarista ao fato de ele ter sido eleito presidente da República pela quarta vez, afirmando: “Estão incomodados porque eles sabem que vou vencer a eleição outra vez”.
Sobre uma possível cooperação em segurança pública, Lula reiterou que exige que a Casa Branca desmobilize o esquema de lavagem de dinheiro em Delaware. Ele também pediu a extradição de Ricardo Magro, dono da Refit, e citou o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, que vive nos Estados Unidos.
A designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos foi anunciada em 28 de março pelo secretário de Estado, Marco Rubio. A medida entrará em vigor a partir de 5 de junho. Rubio afirmou que as facções são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que sua influência se estende pela região e chega aos EUA.