
A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos foi recebida pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como um trunfo político. A medida busca reposicionar o senador no debate público e superar a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A equipe estratégica da pré-candidatura vê a ação como uma forma de associar Flávio ao endurecimento contra o crime organizado.
A estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro é conduzida pelo jornalista Alexandre Oltramari e pelo publicitário Eduardo Fischer. Eles assumiram um papel central na reorganização da comunicação e do posicionamento político da pré-candidatura.
Aliados afirmam que a dupla defende o deslocamento do debate da crise de Vorcaro para temas como crime organizado, política internacional, gestão e relações com os Estados Unidos.
Interlocutores próximos ao senador indicam que o tema foi prioridade na agenda de Flávio em Washington. Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo teriam trabalhado o assunto por meses com integrantes do entorno republicano e do Departamento de Estado americano.
Para a campanha, a ofensiva contra as facções gerou o fato político desejado. O objetivo é reconectar Flávio ao eleitorado bolsonarista tradicional, tirar a campanha da defensiva e reforçar a imagem de proximidade com Donald Trump.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, elogiou a efetividade da viagem. Ele comparou a ação de Flávio em Washington com a atuação do governo Lula, afirmando que o filho de Jair Bolsonaro foi “mais efetivo”.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também comemorou o anúncio, destacando que a medida ampliará o bloqueio financeiro das facções. Ele agradeceu a Trump e Marco Rubio pela contribuição.
Flávio Bolsonaro celebrou o anúncio nas redes sociais com a frase: “Grande dia”.
O Departamento de Estado americano designou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A intenção é enquadrar os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026.
Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido pessoalmente a Trump a classificação das facções como terroristas. Ele destacou que as facções “corrompem agentes públicos, intimidam testemunhas e coordenam atentados”, caracterizando-as como organizações terroristas.