
Os Estados Unidos anunciaram a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) em suas listas de organizações terroristas. A medida, que entra em vigor em 5 de junho, designa os grupos como Specially Designated Global Terrorists (SDGTs) e Foreign Terrorist Organizations (FTOs).
O Departamento de Estado dos EUA justificou a decisão afirmando que a atuação dessas facções transcende o território brasileiro, alcançando outros países da América Latina e os próprios EUA. A classificação foi anunciada em 28 de maio de 2026.
A decisão ocorre dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, onde ele solicitou ao então presidente Donald Trump a designação do PCC e CV como organizações terroristas. O governo brasileiro, por sua vez, tentava evitar a medida, especialmente após uma megaoperação no Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes em novembro de 2025.
Especialistas apontam que, caso o Brasil adotasse uma classificação similar, haveria mudanças no tratamento jurídico dessas organizações. Entre os possíveis efeitos estão:
A designação permite ao governo americano bloquear ativos ligados às organizações e restringir seu acesso ao sistema financeiro dos EUA. Além disso, impede que cidadãos, empresas e instituições americanas forneçam qualquer tipo de “apoio material”, como armas e recursos financeiros, aos grupos.
As restrições migratórias são ampliadas, e empresas que atuam em regiões sob influência dessas organizações podem enfrentar maior risco jurídico, sujeitas a sanções do Departamento do Tesouro dos EUA. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) costuma emitir alertas sobre operações comerciais em áreas associadas a grupos listados.
O governo Trump já aplicou classificações semelhantes a grupos como o Cartel de Jalisco, no México, e o Tren de Aragua, da Venezuela, visando enquadrar organizações criminosas latino-americanas. O combate ao tráfico de drogas no continente americano é uma das prioridades da política externa americana, com discussões sobre o tema envolvendo o Departamento de Estado e o Office of National Drug Control Policy.
